Tecnologia brasileira melhora monitoramento cerebral em pacientes de UTI
Um estudo realizado no Hospital 9 de Julho, em São Paulo, revelou que a tecnologia desenvolvida pela startup brain4care pode transformar o tratamento de pacientes com lesões neurológicas em unidades de terapia intensiva (UTI). O médico Carlos Nassif, responsável pela pesquisa, observou que mais de 80% dos pacientes avaliados apresentaram níveis de oxigenação cerebral perigosamente baixos, mesmo com parâmetros de pressão intracraniana (ICP) e pressão de perfusão cerebral (CPP) considerados normais. A tecnologia utiliza um sensor não invasivo acoplado a uma faixa na cabeça para detectar micro-movimentos do crânio, permitindo a análise da dinâmica cerebral e da conformidade intracraniana. Durante cinco anos, o estudo comparou dois grupos de pacientes: um tratado apenas com protocolos tradicionais e outro que incluiu a nova tecnologia. Os resultados mostraram uma redução na mortalidade de 5,88% para 37,25% e um aumento na independência funcional dos pacientes. Além dos benefícios clínicos, a tecnologia também apresenta vantagens econômicas, com uma economia estimada de BRL 68.800 por paciente, devido à diminuição das internações e do tempo de permanência na UTI. A pesquisa destaca a importância de um monitoramento mais preciso e individualizado, que pode melhorar significativamente os resultados para pacientes com traumas cranianos e outras condições neurológicas. Nassif planeja expandir o uso da tecnologia para outras situações clínicas, como o choque séptico, que também pode afetar a perfusão cerebral. A inovação posiciona o Brasil na vanguarda do monitoramento cerebral, oferecendo uma alternativa acessível e eficaz em comparação com métodos invasivos tradicionais.